domingo, 20 de novembro de 2011

caldeirada de banana

Porque a Internet em Luanda tem vida própria e cumpre horários nem sempre compatíveis com a disposição de escrever este blogue passou quase ao esquecimento, mas agora e em jeito de resumo (pois estou quase no final da minha estada por terras africanas) venho colocar aqui algumas sensações que angola proporciona  como chegar a um quarto hotel 5 estrelas (aqui...) e encontrar uma lanterna em vez da cliché bíblia pensar que precavidos são os chineses que construíram este hotel bem como quase tudo o que neste momento cresce em angola uma verdadeira "invasão" que faz nascer estaleiros por todo lado verdadeiras vilas de contentores onde centenas de chineses vivem sem tão pouco se preocuparem em aprender a língua (a portuguesa), o que gera situações no mínimo curiosas como a dos chineses que constroem os novos estúdios da televisão estatal e que são donos do meu destino laboral diário pois um o "senhor das chaves" no meio de uma mistura agressiva de francês, chinês e português vai gritando "amigo, non abri, fechá" que não abre as portas necessárias para podermos trabalhar ou que ao final do dia resolve que são horas de ir dormir e enquanto deambula já de pijama vestido pelos estúdios de televisão nos tranca dentro destes, e o seu melhor amigo o "senhor do gerador" ou o "puto do gerador" (pois é me muito difícil dizer que idade tem) de nome pú ou xampú pelo menos assim apelidado por quem não entende o que diz quando lhe perguntamos o nome, resolve mandar nos nossos pobres destinos e desligar a corrente, inverter a fase, desligar o ar condicionado ou uma montanha de disjuntores de localização incerta que ainda para mais estão identificados em chinês, bem como tudo quase tudo no estúdio, tal como aqui no hotel onde a decoração é uma espécie de moviflor mas em versão de loja do chinês com pequenos budas prateados e jarrões dourados pelos corredores, e lanternas de interruptor automático que estão nos quartos, a tal que existe em vez da biblia e que rapidamente entendo assim que a luz falta a primeira vez e repetidamente ao longo do dia o que faz a internet ter vida própria, e que faz soar os geradores praticamente em todo lado, que justifica a ausência de iluminação publica nas estradas que por sua vez justifica o uso permanente de máximos nos veículos.Falta quase tudo por aqui, o que provoca no povo uma habilidade extra para  venderem quase tudo o que falta, sendo que este tudo se vende ao longo das estradas e pelo meio dos carros no transito por exemplo: guitarras, relógios, bóias, tábuas de engomar, rádios, óleo para motor, almofadas, sapateiras, espelhos (de wc) câmaras de ar, geleiras, cadeiras, extensões de cabelo, frango assado, cachorros (dos vivos), ovos, amendoins, almofadas, pens usb...(ja deu pra perceber, acho).A culinária também ganhou com a compensação do que falta um pouco como alguma culinária Portuguesa que a falta de mais os alentejanos inventaram por exemplo a açorda (pão, agua, alho e coentros) por aqui coisas curiosas como "caldeirada de banana". Ganhou também o povo uma boa disposição para enfrentar as faltas e aprender a viver com o que dá a natureza que por aqui é generosa em alimento e paisagem uns Km fora de Luanda e o miradouro da lua posiciona-nos neste planeta, tal como as praias com pescadores onde as crianças correm atrás dos carros só para dizer adeus, estradas ladeadas por pequenas vilas de casas de barro onde se vende peixe seco ao lado de sucatas de carros que parecem ser infinitas, ou a barra do Kwanza, com escolas e igrejas no meio do nada...Falta tudo mas há banana para a caldeirada por isso "ya, tamos junto"